Tam tam tam tam.
Juro que tá a pobreza da pobreza, miséria publica, promessas não cumpridas e tudo mais.
Mas. Por enquanto...
anyway: http://bluerug.blogspot.com/
bienvenidos!
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 00h26
[]
[envie esta mensagem]
|
Well.
Eu juro que sai, sei que está demorando. Mas façam como o autor. Releiam os antigos post,
principalmente os do meio do ano passado. Têm coisa boa (e muita porcaria. É um blog. Sim?)
Até breve. Juro.
B!
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 19h21
[]
[envie esta mensagem]
|
A MORTE DAS PÍLULAS...
...Tom Waits. A ultima foto é dele e eu não poderia estar escutando outra coisa pra anunciar a morte disso aqui.
Pensa, quanto suor eu desperdicei com esse blog. Quantas lágrimas |estou tentando tornar a despedida mais trágica|. Quantas alegrias. Quantas saidinhas ocasionais. Uf. Vocês nem imaginam as coisas que esse naquinho de página me rendeu... Bons momentos dear blog, bons momentos. Pero ahora. Ahora sou outro, quero outras coisas, new adventures, enfim. Seu layout tá velho, suas idéias ultrapassadas e seu autor, esse está morto. Quem vós fala é o cara que matou seu autor, de alguma forma ele mesmo, por mais estranho e contraditório que possa parecer. |Hell, só mesmo você é capaz de se matar. Se não seria assassinato, hein?|.
But. Isso não significa que eu vou parar de blogar, pelo contrário. Só tó dando um tempinho... na verdade to com um projeto novo no forno, quentinho e gordinho como pão de queijo recém-saído numa manhã fria e chuvosa. Um grande amigo vai fazer o layout |o cara é bom| e eu vou escrever bastante, já tenho até algum material separado. Quero fazer alguma coisa mais... não vou dizer – séria - porque odeio essa palavra, pois então, mais profissional, creio. Não sei o que isso significa no universo blogueiro, ele não paga minhas contas, não tem supervisão e só ouço conselhos aqui acolá se peço, mas bom, faz bem pro meu Igo-son e faço gostoso, com prazer sabe, do começo ao fim. E isso não tem preço, meu espacinho nesse mundo cão, minha profissão não remunerada e sem cobranças...
Oh Good. Pílulas, você está morta, tomou a dosagem errada e ela te quedou fatal, my sweet baby. Vou sentir sua falta nas noites mais frias, nas manhãs de sol, nas tardes cinzentas; no transito, na praia, no campo. Aonde eu estiver...
Shoooomp. Shooooomp.
Melei todo lenço.
Até.
E, claro:
Não deixem de acessar de vez em quando ou pelo menos umas vezes num período de 10 dias, quando posto o novo endereço no ar.
Thank iu, thank iu everibari que me ajudou com isso.
Foi um grande alívio, vá com Deus meu filho e vê se não desce.
B. |o autor está morto, está morto, morto mortinho|.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 23h36
[]
[envie esta mensagem]
|

Saturday night, Sunday Morning.
Bom, já faz tempo que eu quero reformular isso aqui |which means esse blog |. Não me agrada mais publicar nesse espaço, tá parecendo o meu quarto, eu não aguento mais, não tem qualquer relação com minha vida. Mas como o quarto não posso mudar agora, aqui jaz esperança. E to providenciando. Em breve, em breve.
Essa foi à única conclusão sensata que eu consegui chegar e seria o post, mas já que falei em mudanças, oh sucks, estou com 90% |sendo bem otimista| da minha vida fora do lugar. O que talvez não seja de todo mal, isso é, dizem |eu também costumava dizer| que as crises são oportunidades raras de se reorganizar, entender o mundo de outra forma, buscar outros ângulos, bla bla bla. Mas, see, essa informação é tão patética quanto te pedir “calma” e você, além de balançar a cabeça - sim sim sim - realmente se acalmar. Isso só funciona pra pessoas idiotas ou guros orientais; e se esse for seu caso, me ensina, me ensina por favor.
Ontem, conversando com um amigo, me queixei que não consigo me concentrar e produzir com essa crise... ni músicas, ni textos, ni roteiros, ni nada. Basicamente “vivo num mundo desinteressante”, mas claro, o mundo sou eu. E não há muito a se fazer agora, gira mundo, gira... Paciência, conversas, noites de cachaça e jazz |uma mistura muito interessante| , alguns desenrolos no campo “eu e mulheres, as mulheres e eu”, mas enfim, nenhuma novidade exacerbante, oh god. Disse-me esse rapaz, “você não tem quarenta anos, não precisa se preocupar em concluir qualquer coisa dessa crise, vive ela e pronto. Parabéns, aproveita”. O comentário soou como a médica me dizendo, anos atrás – parabéns, você está com catapora. Ela sorriu, eu quis a enforcar. Mas ambos estão certos - assopro, assopro, assopro - terrível.
Outra conversa interessante foi sobre talento, ganhar dinheiro com arte, essas relações complicadas que venho pensando há dias. É outra parte da crise – Será que realmente presto pra isso que chamam de arte? Digo... o que torna meu texto atrativo, o que tornará meu cinema diferente, etc´s? Posso ganhar dinheiro com isso? Parece cú doce, mas quando você sabe que tem longos anos pela frente e muitas contas a pagar, não é tão assim.
- Pappi, quero ganhar grana fazendo o que gosto.
- Soooon, esse campo de atuação é complicado.
Ok.
Olhe, pensando bem cheguei aos pontos cruciais
- Serei algum dia “relevante” para o mundo? |sobre talento e reconhecimento, afinal|
- Posso trabalhar com o que me dá prazer e ao mesmo tempo pagar as contas?
- Pappi, serei amado por alguém que me queira incondicionalmente?
Bom, a ultima está deslocada, a primeira eu realmente não saberei responder até o momento certo - assopra, assopra - e a segunda, well, o que devo, posso e quero fazer é correr atrás dos meus sonhos independente dos resultados. É a ultima das horas de total descompromisso que me restam, é a grande chance que tenho, aproveitarei e quem sabe.
No fim essas são respostas provisórias, a verdade é relativa, oqui-doqui oqui-doqui, e só me resta jogar a moeda e correr atrás dela. As perguntas são as motivações, a busca a realização e do resto não quero saber. O que interessa o resto?
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 14h21
[]
[envie esta mensagem]
|
Então - talvez eu não ganhe tanta grana- mas de repente, se for reconhecido serei feliz. Por outro lado- ganhando ou não alguma grana – talvez eu não seja reconhecido, seja apenas mais um |não lhe parece óbvio que somos todos apenas mais um?| e acabe frustrado. Imagina, posso até virar um crítico insuportável. Argh. Tem final pior pra alguém que se julga cool virar um mero crítico? Os ideais, norte; você, sul. Medo, medo, medo. Mas enfim, a porta só está aberta pra você |Kafka, O Processo|. Ou: solidão, ou faz você, ou. |Esse final de texto está confuso, não?|.
... Humn. No fim você pode encarar a arte, a literatura, o cinema e a música como campos funcionais pra ganhar a vida, pagar as contas e quem sabe ir pra algum congresso em Paris de vez em quando - ok, é a mais pura verdade - mas eu ainda acredito no nobre ideal da arte mudar o mundo e continuo buscando isso. De qualquer maneira, se no fim for preciso queimar livros pra não morrer de fome, o que há de se fazer? Essa foi à resposta que o Pablito |do nariz de cera| me deu - a vida mundana é só isso - e ele está certo. Mas quando eu escrevo tento fugir do só isso e continuarei tentando, lá lá lá. No fim |mais uma vez “no fim”| quem dirá se meu trabalho tem ou não alguma relevância não sou eu |pra mim sempre terá, ao menos isso| e basicamente o que posso fazer é tentar, |me| expor essas tentativas e estar preparado para carinhos na nuca ou cuspinhos na cara. O resto, kiddo, é incerto. Do your job e saiba defendê-lo.
Ainda há muito, mas não por hoje. Por hoje é só. Ayer, ayer tuve saudade |isso só posso dizer em português|.
Hasta despues.
trilha sonora: Hold On |Tom Waits|
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 14h21
[]
[envie esta mensagem]
|

Infância revisitada.
Esta terrível o tempo, precisa ver a tempestade. O céu encoberto, cinzento e os pingos pesados que se esborracham como vento quebrando no rosto. As folhas voam pelos paralelepipedos, os sacos de plástico se debatem contra a guia e as árvores dançam desajeitadas. Pode-se sentir o cheiro da chuva, escutar o barulho dos raios. Trovoada, um brilho azulado corta o céu.
Eu olhava pela janela vendo as pessoas enxarcadas se recolherem pra dentro de casa. Cobertas de sobretudos e agasalhos emborrachados, um pouco assustadas com o fenômeno. E continuava vendo, fascinado, a chuva correr rua abaixo me levando consigo. Pensava, mas quase não pensava direito, no que havia acontecido. Um dia que nem choveu, fez até calor demais, mas levou tudo embora... Tentei, como muitos tentam sem sucesso, me agarrar a arvores e postes pra não ser tragado pela rajada de vento que surgiria a seguir, mas não consegui. A chuva levou todos os brinquedos do jardim, transformou o solo em barro e só pude ver daqui pela janela. Fechei os olhos e escutei, quase sorrindo, um choro íntimo. Não sabia mesmo se o ouvia - vinha e desaparecia – fiquei assustado. Olhei pela janela e a gangorra, toda desmiuçada, rasgava o céu: era feita de fatias de madeira amarradas com uma corda branca, fora uma gangorra e agora voa se debatendo contra o solo; pedaços de madeira despedaçados. O garoto que com poucos impulsos chegava até o galho mais alto e voltava ao solo num piscar de olhos vai se esborrachar.
Tentei me abraçar a mamãe e ela disse pra que eu não ficasse triste, mas se quisesse podia chorar. Eu tentei, mas não pude: engoli seco meu choro e me quedei duro como pedra. Estava péssimo, mas não com o mundo, comigo mesmo. Não sabia se queria gritar ou ficar quieto e o fato é que continuava na janela vendo o tempo passar. Solucei, um suspiro me cortou a garganta, e essa lembrança sempre volta nos dias de chuva. Mamãe diz que é por isso que acordo tarde, entro no quarto e vou a abraçar. Ela sabe que nunca pude lhe dizer o que me havia acontecido, mas ela entende sabe? Me olha com ternura. E cochicha pras amigas, quando pensa que estou longe, que pareço um pouco catatônico. Fico ouvindo por de trás da porta e não dou importância, ela tem uma certa razão. Passivo, o tempo passa mais rápido. Vai ver que é essa melodia que eu ouço, bonita, que me acalma. E assim posso sonhar, aqui pela janela.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 20h07
[]
[envie esta mensagem]
|
Fatos. Observações. Mentiras deslavadas. Confissões. Atrocidades. A vida é uma reunião de adjetivos.
Está escrito assim: “Ulisses, de James J...” (lê-se “Djames”, o Dj forma um som continuo, diferente de DJ) é o livro recomendado pelos vendedores da Fnac. Logo abaixo da plaquinha com a informação segue um texto desses ultra inteligentes, que tem uns adjetivos fantásticos, fabulosos, inenarráveis e por aí vai. Não posso reproduzi-lo na íntegra porque não me lembro de todos (sequer tinha ouvido falar da metade, as vezes pareciam palavrão). Quem escreveu? Um dos vendedores.
Ah se todos fossem iguais a vocês, vendedores da Fnac, aonde eu iria arranjar emprego? (Alias, eu tenho emprego?).
Apesar de “touda poupa e circunstância”, só consegui me lembrar do Don portenho que costumeiramente falava de coisas como labirintos e espelhos e afirmou numa entrevista: os bons escritores são aqueles que escrevem de uma maneira simples. E só. “Quando escrevo a palavra azulada as pessoas a entendem. Mas se você for ao dicionário, pode achar sinônimos como azulante, azulício e azulico. Mas, se você emprega-las num texto, as pessoas terão que recorrer ao dicionário e mesmo que isso aconteça e elas e encontrem o seu significado, elas continuarão sem o sentido”. Esse é o resumão da ópera distorcido. Você: já sabia faz tempo ou discorda?
Whatever.
Vamos lá, segue uma notícia quentinha. Primeiro a introdução (oh!) e depois a conclusão (ooh!) que é a (oooh!) gag. Digo que adorei essa gag idiota (thank u Ganso):
Darius McCollum foi condenado a 3 anos de prisão por ter tentado, em junho passado, roubar uma locomotiva na estação Jamaica, em Nova York. O motivo? "Gosto dos trens", justificou-se.
Darius McCollum gosta tanto de trens que, por causa deles, acabou saíndo da linha.
Há! Chorei de rir quando li. Genial. E quem somos nos pra dizer que não. Esse jornalista devia ir pro NP. Pena que não existe mais NP. Bom.
Até.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 22h24
[]
[envie esta mensagem]
|

Ela não tinha carta, dirigia livremente pelas ruas mal-calçadas e cheias de lombada e mato, quase interior e costumava atropelar... gatos. Atropela um gato, leva pra casa, dá banho, coloca terno e gravata, perfume, namora um pouco e então o despeja. Atropela outro gato, aplica o mesmo procedimento e assim sucessivamente.
Os gatos sentiam-se estranhamente gratos por aquela moça e desenvolviam uma paixão arrebatadora que lhes cortava a alma (muitos também acabaram cortando os pulsos). Como havia toda uma técnica de atropelamento pra não machucar muito, apesar de vez ou outra quebrar pernas e braços, mas raramente matar, aconteceu somente uma vez, o trauma causado pelo susto era tão grande que os gatos só se davam conta da presente situação quando abriam os olhos, ainda bem atordoados, e se viam socorridos pela linda donzela que lhes passava um lenço sobre a testa.
Uma voz reconfortante pedia pra que ficassem calmos, fechassem os olhos e dormissem, e depois de acomodá-los cuidadosamente no banco traseiro de couro bege do Karman Guia azul claro, eram levados pra uma casinha de madeira de cor semelhante. Dava banho, passava perfume e colocava terno e gravata. Eles só despertavam depois desse ritual (no local do acidente ela despejava um pouco de seu frasco de éter num pano e dava pra que passassem na testa, mas quando eles aproximavam o lenço do bigode e respiravam ouvindo uma voz longínqua pedindo pra que dormissem, prontamente obedeciam).
Na cama e ainda dormindo, era só depois de sentir o aroma do chá de camomila cuidadosamente sobre suas narinas que os gatos, trajados como verdadeiros cavalheiros, despertavam. E a primeira coisa que podiam ver era um lindo rosto os observando com um olhar que passeava entre o malicioso e o maternal e despertava calafrios de reconforto e atração sexual (Édipus).
Deu-se essa história numa cidadela no interior, próximo a cidade grande. A lenda povoava o imaginário de todos os gatos que sonhavam com aquela moça desconhecida e causava tremores alucinantes no pequeno e seleto grupo que fora alvo dela. Alguns gatos, inclusive, ficavam dias na estrada se jogando na frente dos carros esperando pelo socorro da moça. Não sabiam de todos os detalhes que você sabe, nem nunca souberam que naquela época, essa espécie de anti-heroina dos anos 30/40 – a primeira do gênero - era fã de Billie Holiday. Esse caso está registrado nos periódicos junto ao alarmante fato de ter sido uma das principais causas da completa e total dizimação dos gatos daquela região. Implícito que aliado a fatores socioeconômicos, mas, de verdad, ainda havia espaço pra esse tipo de romantismo fantástico naqueles dias.
Tempos depois, incontáveis buscas, foi encontrado o corpo de uma mulher com aparentes sete décadas e alguns anos, de traços bonitos e conservados, numa pequena casa de madeira com lascas azuis descascando no alto da colina. Os relatos, que seja dito um tanto confusos, apontam para um infarte fulminante. O médico legista – um dr. que sobreviveu, viveu e nunca esqueceu do dia em que foi atropelado pela moça – morreu de desgosto uma semana depois de aprontar o laudo. Ficou completamente chocado com o fato. Não foi encontrada a carta de motorista da mulher ou qualquer outro documento. Foi enterrada com honrarias de santa, mas ainda não tinha nome: por bem chamaram-na de Penélope.
Ps: Todos os gatos, questionados sobre a primeira impressão que tiveram da moça, responderam unanimemente “uma imagem marcante”.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 18h17
[]
[envie esta mensagem]
|

Observações pertinentes sobre a vida numa grande metrópole:
a) Se você quer usar o inconsciente coletivo a seu favor (egocentrismo), experimente numa fila de cinema assoviar:
(...) Fi fu fi fi fu, fi fi fu fu fi fi fu, fi fi fu fu fi fi fu fu, fi fu fi fi fu, fi ru riro riro riro riiiii firi... ( //del capo)
Você já ouviu, já sabe e está prestes a incitar uma forma de orgia muito primitiva. É o chamado efeito Bill e serve pra provar que você é um legítimo paulistano que vai ao cinema.
b) Os corrimões de borracha das escadas rolantes do metro são muito sujos. Por acaso e bem cedo pousei meus olhos por lá, vai ver porque eu queria dormir e me apoiava em tudo que podia, mas não tive coragem de continuar dessa maneira depois do que vi. Ele parecia cheio de pó e gordura, também, deve ser óbvio (mas nunca havia pensado nisso), corrimãos são feitos mesmo pra se apoiar. Tendo em conta as milhares de pessoas que os usam diariamente com mãos sujas, bactérias, restos de chocolate, saliva, resquícios sexuais, etc´s de não se sabe o que, eu digo, não coloque as mãos no corrimão da escada rolante do metro mesmo ela sendo atrativa, de borracha preta e tudo, pois você corre sérios riscos de pegar um doença sebosa. Outra obviedade necessária, a esteira rola em continuidade - desce, sobe, desce, sobe - e por isso ter um pouco de nojo é ser prudente, a sujeirinha vai e volta.
Ps: Essas frases podem ser atribuídas a mim e ao Howard Hughes, mas isso só me ocorreu agora
c) Uma outra história que surgiu desta.
Ou podemos nosostros começar a usar luvas e dar o exemplo pro Brasil, sermos higiênicos lançando moda. Seria uma oportunidade de sua empregada, o Ocimar Versolato e você competirem saudavelmente lançando luvas, todas muito bonitas, uma atrás da outra: coloridas, neutras, com fotos, slogans, frases engraçadinhas... Todo um império (prometo depois pensar em alguns exemplos). Com o tempo elas também serviriam para divulgar cd´s, dvd´s e filmes... Só pra te dar uma idéia, as duplas caipira, ups, country!, teriam a linha própria e tudo mais. São Paulo, nossa city, seria hype. Depois do café, se não me engano a ultima coisa da qual nos orgulhamos e cultivamos como legítima cultura paulistana (de preferência em máquina italiana), as luvinhas com a bandeira da cidade, o Masp e o Copan seriam mundialmente famosas e dariam a cidade um revival e aos habitantes um tremendo orgulho. Usadas tanto por ilustres e gostosas do cinema, tipo a Natalie Portman na festa do Oscar, quanto por peões, ela seria o símbolo da oportunidade e miscigenação da cidade e produto-símbolo do nosso pseudo(emb)lema , “não importa de onde você vem, mas se você trabalha bem”*. Pra não causar mal estar com os vizinhos, também importaríamos da Inglaterra luvas descoladas, eu teria uma do White Stripes. E dos filmes argentinos. Que legal.
Gostei disso. Tive um monte de idéias agora. Mas você não, você tem que trabalhar. Sai daqui que vou pensar mais a respeito.
Até logo.
* kind I Love NY.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 15h16
[]
[envie esta mensagem]
|

De tempos em tempos tenho vontade de fazer queixas opulentas sobre a vida, seja lá o que isso signifique. Tenho vontade de entrar no cinema e passar bons dias por lá. Não atender telefone, não ter notícias de nada/ninguém, não ser interrompido e só sair, ocasionalmente, pra tomar um café com pão de queijo. Cada vez que as luzes baixam devagarzinho e a tela vai tomando todo espaço, cada vez que olho pra trás e uma luz meio azulada atravessa a sala, denotando nitidamente os grãos de poeira que dançam no ar, cada vez que procuro pelas expressões das pessoas, embriagadas pelas imagens, dou um suspiro de vida. Talvez isso seja besteira e eu só esteja triste mesmo, querendo suspender um pouco o tempo, parar o mundo – não ta nada nada fácil, mas nem é tão difícil assim – mas, independente do meu drama, o cinema me dá (sempre me deu) uma ponta de felicidade, alívio e compreensão. Posso sorrir, chorar, sentir o que eu quiser sem que ninguém me pergunte o que está acontecendo, posso simplesmente emergir nas imagens e me emocionar, lá só estamos eu e a tela ... E nesse fluxo, um espécie de transe me traz de volta lembranças da adolescência: anos atrás eu pegava minha guitarra, meu violão ou sentava por horas no piano e me deixava suspender no tempo executando composições de outros músicos e fazendo as minhas, eu colocava a “vida” na ponta dos dedos e me deixava levar intensamente. Hoje, dizendo isso, o fato me parece muito bobo, piegas... Não, isso não é piegas, mas o fato é que se emocionar intensamente hoje é difícil, irracional!... é o trabalho, são os conflitos, é uma série de fatores que não dá pra teorizar, colocar num papel e dizer, oh! é isso. Emoção maior por aqui, só o stress e a pressa. Assim, de uma forma ou outra, não me deixo mais emocionar... é como dizem os poetas, os pais e professores, os mais velhos, a vida te desilude, te frustra e até certo ponto, se pode dizer, te faz crescer com isso, é parte do tal “amadurecimento” (estou usando conceitos meio batidos, tolos, porém “universalmente” aceitos). Mas a questão é que estar desiludido permanentemente não fazia e, Deus!, não faz parte dos meus planos. Eu não quero me conformar com esse tal amadurecimento de “olha, o mundo, a vida, é isso mesmo”. Faço um empréstimo das palavras de um velho mestre do samba sobre desilusão, “...em cada esquina cai um pouco da sua vida, em pouco tempo não serás mais o que é ... ouça me bem amor, preste atenção que o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó. Preste atenção querida, de cada amor tu herdaras só o cinismo, quando notares que está a beira do abismo, abismo que cavaste a teus pés”. Ou ainda, numa memória triste de um artista plástico fã de samba: “Dorme a lua, dorme o Sol, a cigarra dorme o Caracol, essa rua onde o lobo vem. Dorme triste, dorme triste, dorme triste como eu também... não me pergunte aonde vou, vou viajar, raio. Mas logo a chuva fina, no meio da neblina, esconde e ilumina quem me deixou...”. Pequenos versos de uma beleza rara, duas belas imagens, tudo essencialmente simples – uma constatação, uma lembrança dolorosa, uma memória recorrente, uma história... Isso ainda me emociona mesmo sabendo que a vida é isso mesmo e, agora, também não é só isso mesmo. Se a vida fosse somente “isso mesmo”, seria muito pouco... coisa bem menor e menos imaginativa, com pouca luz, do que eu concebia quando criança. “A vida é um tempinho horroroso, cheio de momentos deliciosos”. É do Oscar Wylde, mas hoje não passa de um belo bordão publicitário.
... Recorro a noite, as luzes da noite, aos bares, as baladas e me contagio pelo escuro. Pelos sonhos irrealizáveis, pelas conversas de boteco, pelas notas dos violões, que quando eu estou embriago, me parecem à única verdade. Me embriago pelos olhos da morena, pelas pernas das meninas de saia, pela gestos e a sensualidade da mulher. Me embriago pela beleza da noite como quando estou no cinema... apagam-se as luzes e eu vejo apenas o que quero ver... no meio de tudo que se mostra eu escolho o enquadramento e a luz, faço meu próprio filme, um sonho que aflora. No fundo, já não sei se o problema é comigo ou com o mundo, a modernidade e a velocidade com que as coisas acontecem ou a minha infância regressando, mas de alguma maneira consigo suspender novamente o tempo. Deve mesmo ser isso. Eu achava que a arte podia tocar as pessoas a fundo e mudar o mundo e hoje acho isso besteira. Não há pra que se emocionar numa estrutura tão concreta – não sei se eu acreditava que se entrássemos em contato com outras estruturas de pensamento poderíamos ser outros, bastaria que abríssemos os olhos, alertássemos as pessoas pra pipa colorida que corta o céu e pronto, aí está, o mundo é outro, as pessoas melhores... Não. Isso não existe mais. A vida só existe fora de si e o que resta são as migalhas do moinho, a cigarra que dorme o caracol e alguma esperança de que a vida não somente seja isso mesmo.
* “O Mundo é um moinho”, Cartola.
* “Dorme a Lua”, letra de Nuno Ramos interpretada por Rômulo Fróes e Dna. Iná
* confiram esse blog - http://www.narizdecera.blog-se.com.br – e leiam o texto da Adriana Negreiros que também trata desse tema “Ninguém mais se entusiasma com nada?”. Aproveitem também os textos do Pablo, tem um “A cigana bem que me disse pra não confiar nas pessoas de olhos verdes", vale a pena.
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 12h47
[]
[envie esta mensagem]
|
Curiosidades bestas. Eu tenho, você tem, tu-tela.
(Dr. Frankstein, Johny e Alfred)
a) Quando eu for famoso, muito famoso, porque. Deixa eu ver. Porque eu tenho a ponta da orelha esquerda um pouco maior que a da direita e a unha do pé esquerdo côncava (não convexa). Criarão um site (ou um grupo no orkut) eu Odeio o X! (rosnando, quase grunhindo) e eu vou declarar aos grande periódicos e magazines – “ se as pessoas dizem isso é porque eu sou importante, elas falam de mim, pensam em mim, mim, mim, mim!!” – com uma expressão propositalmente arrogante e desafiadora, sendo clicado pelos fotógrafos junto a minha girlfriend modelo Barbie estampado, orgulhoso e triunfante, as capas e primeiras páginas.
b) Quando eu for famoso. Talvez por isso mesmo, a ponta da orelha esquerda um pouco maior que à direita e a unha do meu pé esquedo côncava (não convexa). Farei um porno com a minha namorada Barbie e o mesmo caira na rede por acidente e sujara minha suada e intocável reputação, construída ao longo de anos (pela orelha e a unha?). Então ficarei muito deprimido e me internarei na casa de meus pais ou num hotel discreto – tipo Hilton – pra choramingar o que a imprensa apronta comigo, que maldosos, até estar pronto para próxima.
c) Farei uma operação plástica na unha do pé com o melhor $icurgião e tenho que decidir se:
- nego que tenha feito qualquer operação, nunca tive unhas côncavas (sempre foram. Você sabe)
ou
- ponho meu pé a prova na capa das revistas e dou uma afirmação tipo “o pé é meu, faço o que eu quero e paguei muito bem pago por isso”. E então, junto a minha frase o apêndice “o pé de 1.000,000,00 de reais”. Ainda, dentro da revista fotos da minha namorada com uma pena de ganso indiano na mão fazendo coceguinha em mim. E frases tipo “eu sou católico, acredito muito em Deus e rezo todo dia, mas o papa não pode me repreender por trocar de pé. Também sou filho de Deus e vaidoso. Mas não descrimino as pessoas, os meninos de rua e tudo que se vê com os pés de unhas côncavas, respeito. Só não queria isso pra mim. Deus há de entender essa minha opção”.
Ps: nota do artista: (...) fui aconselhado pelo assessor a escolher mesmo a opção 2. A primeira teria pouca repercussão.
d) Depois de tudo, começarei a praticar jiu-jitsu na academia dos Royce, porque todos meu pit-brothers fazem lá também. Aí ficarei fortinho, todo dia rolando com meus amigos no tatame, só na inocência, até que minhas orelhas fiquem gastas e virem um negócio exquisito, todas raspadas, na minha cara. A imprensa demorará pra perceber que as orelhas já não são mais dispares, e quando mostrarem a comparação antes e depois meus fãs nem vão notas que o motivo de minha fama já não existe mais (já serei um artista bem consolidado e famoso pra dar maiores explicação). Veja bem, continuarei famoso e circulando nas capas de revistas por outros motivos... porque eu era o cara que tinha as unhas e orelhas estranhas (bem) e agora, sou o ex-cara com essas características. Como mudou! Estamparão as capas dos grandes veículos vendendo o ideal de vida saudável, a melhoria da raça, o aperfeiçoamento estético. Satisfeito, estarei sendo modelo de vida e alimentando o seu sonho de ser. Como eu.

Escrito por Bruno F. Goldgrub às 12h12
[]
[envie esta mensagem]
|


...
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 12h44
[]
[envie esta mensagem]
|
Finalmente eu assisti Sideways. E o que eu achei de Sideways? O que eu quase sempre acho dos filmes quando assisto sozinho, legal, mas eu ainda não sei avaliar ele direito. Quer dizer, o crescente do filme é bem bacana e as piadas melhoram muito daquele começo café com leite até o gordinho correndo pelado atrás do carro. Talvez, digo, com certeza essa é a melhor cena do filme. Mas também tem muitos momentos divertidos como a batida do carro na árvore, as bolsadas da japinha na cara do ator canastrão e outros que me deixaram com muito ódio, tipo a cena em que o idiota começa a falar de vinho, ouve um discurso similar da moça e não faz nada a respeito nem mesmo quando uma mãozinha pousa na sua... esses gestos femininos sempre tem uma resposta automática do ser masculino, não importa quão deprê você esteja. Que babaca. Mas teve uma cena que me deixou muito muito triste e eu fiquei pensando que o dia que isso acontecer comigo eu vou voltar correndo pra casa, deitar na minha cama, pegar o travesseiro e chorar descabelado a tarde inteira até ficar com a cara toda enxada e os olhos vermelhos-esbugalhados. Eu fico pensando quando eu cruzar uma ex-qualquer coisa no mercado num sábado à tarde comprando um yougurte de maracujá e notar seu barrigão e dizer oi toda sorridente estou grávida! E aí o maridão chegar por trás colocando a mão no barrigão e me cumprimentar eu vou dar uma desculpinha esfarrapada tipo to com pressa, no vemos e correr pra casa e chorar. É tão estranho encontrar as ex-qualquer coisa acompanhadas, dá uma pontadinha, passa um filminho e você pensa poderia ser eu, e se fosse, como estaríamos, eu gostava dela?, será que teria dado certo, ainda mais quando ela dá aquela olhada pra você num misto de carinho, lamentação e ao mesmo tempo bronca e condenação, olha só, poderia ter sido você e aí você suspende o tempo pensando no if e divagando que sure, it should be, você estaria bem e feliz com ela, a culpa foi sua, porque você desmanchou... Realmente algumas poucas mulheres sabem magoar com estilo e você sente, no fundo, que elas tiraram sua chupeta da boca e a jogaram no lixo dizendo pra você virar logo um homenzinho. E você não pode fazer nada, somente chorar a morte da chupeta e procurar o colo de uma outra mulher que esteja disposta a te fazer cócegas até que você consiga sorrir o suficiente pra viver sem a chupeta. Oh, que triste. Mas, estou falando de Sydeways, de vinho e tudo mais...
Vou pular o resto de amolações, no fim Sideways é um filme triste, mesmo dizendo que sempre existe uma nova chance, porque, no fim, pulando um monte de coisa, a história é um drama recorrente e sem solução construida por personagens bem marcados; tudo é muito clichê, quase tudo. Portanto, é um filme bom, triste, com piadinhas engraçadas e que me lembra Bento Gonçalves e é só isso.
Bom mesmo está sendo ler o roteiro de Cães de Aluguel com uma entrevista do mestre Tarantino antes da fama, diga-se, antes de filmar Pulp Fiction - ele havia acabado de terminar o roteiro - e pensar no diretor como um ser humano comum que já teve sérios problemas comuns tipo orçamento, produção, casting enfim, problemas comuns que as pessoas comuns tem. Ah sim, ele nunca será alguém comum, quase esqueço. Whatever, que mais? ... Lendo Borges em español e Salinger em português, o que me entristece (sempre lembro da Ieda falando da tradução do Apanhador...) e me dá vontade de retomar o inglês arroz e feijão e estudar de verdade. E já que citei a Ieda, descobri uns textos velhos dela e mesmo ela me odiando mortalmente eu cada vez mais adoro o que ela escreve: todo dia visito seu blog e agradeço a dádiva. Acho que posso até afirmar que qualquer homem minimamente inteligente (na casa dos vinte aos trinta e poucos) queria ser o cara da Ieda. Pobres homens, fabulosos e inúteis.

Escrito por Bruno F. Goldgrub às 13h11
[]
[envie esta mensagem]
|

Escrito por Bruno F. Goldgrub às 21h42
[]
[envie esta mensagem]
|
Situações Tarantinescas: você pode não acreditar, mas elas existem...
Eu já havia comprado os ingressos pro Open air uma semana antes e aguardava ansioso pra ver os irmãos Kill Bill na tela gigantesca a céu aberto. Não pude ir nas edições anteriores e agora não perderia a oportunidade por nada. (...) foi assim que quase a perdi.
Estacionei o carro ao lado de um peugeot prateado, no Jóquei mesmo, bem perto da entrada e saí do carro tão empolgado que só quando estávamos na porta é que me dei conta que o envelope com os ingressos havia ficado no carro. Voltamos apressados e já bem próximos dele foi que dei de cara com uma menina apertando o controle e trancando o classe A (que mais parece um ferro de passar roupa) estacionado ao lado do meu bólido. Chegamos, destravei as portas e comecei a procurar o ingresso... não está ao lado da porta, no console e nem no porta luvas, cacete cadê esse ingresso, tem certeza que não ta com você, mas eu estava com eles em mãos quando comemos o dog lá fora... puta merda, só falta eu tê-lo deixado no teto enquanto abria a porta e.
---- interrupção ----
-O que é isso aí debaixo do pneu do mercedes?
- Ah sim! Ufff, ta aqui, é só puxá-lo (preste atenção aos sinais).
--- voltando ---
...Puxa, puxa, puxa. Humn, acho que estamos ferrados! Ele ta preso!
RECONSTITUIÇÃO DRAMÁTICA:
Os dois amigos descem do carro e logo o ingresso cai do bolso de um deles - o motorista e narrador dessa história - que não percebe o fato. Seguem tranquilos e só em frente a entrada é que se dão conta de que está faltando uma coisa muito importante – ta tam! - e voltam ao carro para pegá-la: ao se aproximarem cruzam quase despercebidamente a menina (nem tanto, porque era bonita) que acabara de estacionar um mercedes e passam incólumes (só dando uma torcidinha no pescoço) por ela. Procuram os ingressos nos lugares aonde ele deveria estar e quando se dão conta, fuçam aqui e acolá, ele está debaixo do pneu de um carro que acabou de estacionar e cuja dona acabara de se perder na multidão. Não dá pra tirar o envelope debaixo do pneu sem rasgá-lo, o que dilaceraria todo um projeto de anos (isso torna tudo mais dramático), e eles não sabem o que fazer. Achar a menina, explicar a situação irreal, digo, quase irreal e convencê-la a ajudá-los não será fácil, quer dizer, poderia ser uma boa história, mas isso despenderia muito tempo e energia e. O que farão?
Pensa.
Isso, mais um pouco.
E aí, têm certeza?
Bom, olharam um pro outro, amigos de longa data, e não tiveram dúvida: abriram o porta-malas calmamente, tiraram o macaco, um tapou o pequeno vão que havia entre os carros pra não atrair atenção da multidão e o outro tornou a subir o mercedes, bem devagar pra não soar o alarme e causar um baita alarde ou causar danos ao carro (somos politicamente corretos).
Sobe sobe sobe sobe o macaco e nada. Sobe sobe sobe e foi um pouco, vai mais, sobe sobe sobe sobe, pera aí que vou levantar um pouco o pneuuuu, argh! Vaaaai...
Deixa que eu puxo, pera. Peguei. Peguei!
Oh oh. É... rasgou um baita pedaço do envelope, será que os ingressos estão inteiros, ai ai ai...
YES! Estão bem aqui, novinhos!
Escrito por Bruno F. Goldgrub às 20h58
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|